Blog na Floresta

Um Blog baseado na obra de Paulo Rangel, Assassinato na Floresta

Assassinato na Floresta Outubro 7, 2008

A trama do livro de Paulo Rangel começa quando o editor da Tribuna da Pátria entrega ao jornalista Ivo Cotoxó um trabalho inusitado: escrever sobre uma morte de causa natural de uma serigueira, Raimunda, mordida por uma cobra na região amazônica.

Ivo Cotoxo teve vontade de matá-lo ao receber a missão, pois só podia ser mais um dos planos do maldoso chefe. Como precisava do emprego, Cotoxó foi a Benjamin Constant, cidadezinha amazonense, local do acontecido. Partiu de São Paulo, atravessando o país até Manaus, dali até a cidade destino atravessou o rio Solimões, até a divisa com a Colômbia e o Peru.

Não imaginava que a morte de uma seringueira, viúva, anônima, semi-alfabeta, poderia repercurtir nos meios nacionais e internacionais. Mas o que Cotoxó descobriu ao longo de sua trajetória, era que Raimunda havia sido assassinada, a mando de um fazendeiro que agia sob ordens de dois deputados. E estes deputados, recebiam instruções dos donos de empresas multinacionais que lucravam com a derrubada da floresta Amazônica.

Através de sua matéria, aparentemente “furada”, Cotoxó revelou a luta de pessoas sofridas e feridas que acreditavem em seus direitos de cidadãos, e lutaram a favor da Floresta Amazônica. Ele levou esta causa ao conhecimento nacional,  história finalmente possa ter chegado ao fim. Essa luta era apenas o começo para carreira de Ivo..

 

Chico Mendes Outubro 7, 2008

Arquivado em: Assassinato na Floresta — Guido Azevedo @ 2:36 am
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No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.

Francisco Alves Mendes Filho

De família pobre começou a trabalhar nos seringais logo cedo, seguindo os passos de seu Pai.

Já que lhe foi negada a oportunidade de estudar, os seringueiros proibiam escolas nas vilas de trabalhadores. Indignado com a péssima condição imposta pelos donos de terra na Amazônia, começou um movimento pacifico para defender a floresta e os trabalhadores.

Começou a trabalhar em movimentos sindicais na luta pelo desmatamento e os grandes proprietários de terra. Dessa forma, entrou em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado.

Foi eleito vereador, a partir daí sofreu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Participou de debates políticos e religiosos, por causa disso foi acusado de subversão pela ditadura e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o fato, ou seria morto.

Ajudou a criar o partido dos trabalhadores, se tornando o lidar na região, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar posseiros à violência, mas foi absolvido por falta de provas.

Quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, a luta dos seringueiros começou a ganhar repercussão nacional e internacional. Sua proposta de “União dos Povos da Floresta”, apresentada na ocasião, pretendia unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica. Seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, e a garantia de reforma agrária para beneficiar os seringueiros.

Transformado em símbolo da luta para defender a Amazônia e os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita de membros da Unep. Lá, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais.
Logo em seguida, o ambientalista e líder sindical foi convidado a fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado dessa viagem a Washington foi imediato: em um mês, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos. Chico foi acusado na imprensa por fazendeiros e políticos de prejudicar o “progresso do Estado do Acre”.
Em contrapartida, recebeu vários prêmios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas de mais destaque na defesa da ecologia.

Conseguiu a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri. Foi quando as ameaças de morte se tornaram mais freqüentes: Chico denunciou o fato às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Nada conseguiu.

Pouco mais de um ano após sua ida ao Senado dos Estados Unidos, o ativista acabava de completar 44 anos quando foi assassinado na porta de sua casa. O fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Derli, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão, pela morte de Chico Mendes.